Entre eles, coração

Para ouvir ao som de “Pra sonhar – Marcelo Jeneci”

Ele – E se a gente começasse assim, do nada, a inventar um diálogo bem possível entre dois escritores daquilo que o coração fala em código morse nos batimentos do coração?

ElaE se a gente não inventasse, mas falasse mesmo das coisas do coração?

Ele – Seria interessante. Esse lance de não inventar as coisas do coração. Seria irônico também, já que o coração inventa coisas né?

ElaO coração inventa pra si. É tão solitário e vazio que precisa inventar coisas que o deixem cheio. E é tão cretino que engana o dono e mais um.

Ele – Coração é sacana. Sacana com ele mesmo. Se  enche de ilusão pra depois esvaziar-se com dor, arrependimento e saudade. Procura algumas desculpas, alguns “só estou com sono” ou “nada não, trabalhei de mais, só” pra tentar esquivar aquele que o guarda com calor, com amor, amor dele mesmo, do coração… da ilusão que tornou-se verdade.

ElaCoração, coitado… E pensar que a gente come o coração de alguns bichos. Mas dizem que bicho não sente, que tu acha?

Ele – Nunca parei pra pensar. Mas, se a gente come coração de bicho humano e sabe que eles sentem…

ElaÉ, a gente é cruel com os outros e quer que cuidem do nosso coração. A gente é mesmo um monstro… Come corações, quebra corações e se acha no direito de chorar.

Ele – Cruel. A vida é cruel. E quem dá vida? O coração. Ele é cruel consigo, comigo e contigo e com qualquer mendigo. Não há de se preocupar. Nem tudo são gotas de remédio para tosse. Hoje a gente tosse com gotas de lágrima e amanhã cura os corações estilhaçados por outro coração estilhaçado com o nosso coração estilhaçado e nossas lágrimas. De repente a gente tira parte do coração de um, e tem uma parte do nosso retirada, pra se encaixar com outro.

ElaEu te dou um pedaço do meu, se tu precisar.

Ele – Eu também te dou um pedaço do meu. Um pedaço do meu abraço, de um amasso (?), até faço um laço contigo, e solto quando começar a apertar. Laço sim, de amor, não nó.

ElaMe enlaço contigo, então. Vem cuidar do meu coração.

Ele – Vou, to indo. E sabia.. tu já cuida do meu faz tempo.

Ele, João Pietro, escritor d’O Sol da Esperança. Amigo, por favor, não se perca da minha vida. Continue me fazendo rir e entendendo todos os meus olhares, conhecendo todas as minhas feições. Continue escrevendo com o coração e amando intensamente. Continue espontâneo, divertido e feliz. Continue comigo, por muito tempo. E não arrume casamento antes dos 40 :’)

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