esconde-esconde

Já fazia alguns dias que as palavras estavam fugindo de mim. Todas distantes, medrosas, se escondiam e eu não podia nem vê-las. Ontem, no entanto, enquanto eu caminhava bem mais do que parecia ser, elas saltaram de onde quer que estivessem e me derrubaram, tamanha força que vieram pra cima de mim.

Mas ainda não eram todas as palavras. As bonitas continuam tímidas por aí e em alguns momentos do dia, eu até consigo um lance rápido de olhar sobre elas, mas logo desaparecem de novo…

As palavras tristes, por outro lado, me tiraram pra dançar e me deram tequila para beber. Vieram comigo até em casa, deitaram na cama e dividiram o suco de laranja. Passaram um bom tempo comigo e até tentaram me dar alguns conselhos. Eu ouvi, mas não dei atenção.

Na falta de palavras bonitas, mandei as tristes embora também e continuei na minha solidão de xícaras e cadernos rabiscados, maquiagem borrada e cabelo embaraçado.

Entre um gole e outro de café, o sol foi embora e eu quis ir com ele. Fechar os olhos e sonhar coisas estranhas ainda é mais confortável, eu simplesmente não sei lidar.

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