jogo de azar

Eu puxo essa alavanca várias vezes por dia, todos os dias. Às vezes, apostando tudo que tenho de melhor. Outras, apostando quase nada. Mas eu sempre perco: tudo que apostei e todas as coisas que ganhei jogando. Às vezes, aparecem ali três limões juntos e pode parecer que o prêmio é bom… Mas sabe, nem tanto. Limões são tão amargos que nem sei se quero ganhar.

Num mesmo dia, eu consigo ganhar o suficiente pra viver feliz por muitos anos e perder tanto, que preciso achar outra saída. Mas os jogos de azar nunca me abandonam.

Outro dia apostei coisas que eu nem lembrava que ainda tinha. Coisas importantes pra mim e que não têm substituição por prêmio nenhum, nem sei por que fiz isso. Todos os dias, a máquina me devolve e me tira elas umas três ou quatro vezes. Todos os dias. Meu problema é que nunca sei a hora de parar de apostar.

Quando eu ganho, o dono do cassino fecha a cara e não me deixa sair. Não consigo pegar o que ganhei e tocar a minha vida fora dali, eu já tentei. Ele me obriga a ficar e a apostar de novo, mas eu nunca ganho duas vezes seguidas. Noite passada, ele só me deixou ir embora quando tinha perdido mais uma aposta.

Tomei quatro ou cinco cervejas e tentei não pensar no resultado daquela partida. Talvez hoje ou amanhã eu resolva apostar de novo, mesmo estando cansada de perder. Talvez um dia eu consiga igualar tudo ao que eu tinha antes de começar com essas apostas infelizes.

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