um cacto

Nem sei direito como começar, sei que preciso falar das coisas. Acho que a principal delas é pensar que as coisas vão mudar, mas tudo continuar igual. Mesmo depois de eu acreditar que a gente esteja um passo mais próximo. Mais próximo do quê? Às vezes, por pior que seja imaginar isso, penso que cada passo dado é um passo a menos pro fim.

Acho que vou ter uns 70 anos e ainda vou me enganar com as situações, com as pessoas e pensar que é tudo lindo. Ainda vou me emocionar com algumas coisas e depois, chorar o triplo por ter me iludido sozinha. “Se dá um passo pra frente, por que dois passos pra trás?” Porque recuar ainda é mais seguro. Tô em cima da corda bamba e nenhuma mão pra segurar. Quando olho pro lado e tento ver quem estava ali antes, eu acho que não conheço mais. Quando olho pro outro lado, vejo pessoas que eu mesma expulsei da minha vida contando comigo e me enxergando pelo que sou. Será que eu to mesmo tão errada assim com as pessoas que eu escolho? Eu não sei.

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Nunca vou entender pessoas que compram um vasinho de cacto quando preferem colher dezenas de flores, dessas de calçada, de árvores da rua, de qualquer lugar. Talvez seja porque as flores sejam fáceis e qualquer um pode pegar; talvez seja porque o cacto sempre fica ali, não precisa de muito cuidado e não vai morrer se você esquecer ele por dois ou três dias, ou semanas, enquanto se diverte com flores que crescem em qualquer lugar. Cactos precisam de pouca água, pouco sol, pouca atenção e pouco cuidado. E permanecem, até.

Mas os cactos também morrem, em silêncio. O que eu quero dizer é que, enquanto você se ocupa em colher flores que crescem em qualquer lugar, o cacto que você comprou pode estar secando por dentro e um dia, simplesmente, ter apodrecido no vaso quando decidir retornar. Mas os cactos também florescem. Pra isso, sim, precisa de cuidado. Até mais que essas flores que qualquer adubo resolve. Um cacto cheio de espinhos, que poucas pessoas têm paciência pra tentar quebrar. Um cacto que, mais do que alguém que quebre os espinhos, precisa de um vaso onde possa florescer. Não de um vaso onde vá secar.

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