tentativas, fracassos

A vida é uma roleta. Às vezes, você aposta baixo e ganha pouco. Às vezes, você perde tanto que desiste de apostar. De pequenas em pequenas perdas, a vida vai te tirando o prazer de apostar, de jogar, te faz esquecer os pequenos ganhos e guardar o pouco (ou o muito) que tem, só para si. Não se abre mais o jogo. Os dias incríveis são sufocados pelos frustrantes, que crescem com o passar do tempo, e, meu deus, como o tempo passa. Você acorda num dia ensolarado, mas nem tão quente, abre a janela e vê a verdade lá fora. Todos estão lá e ninguém te chamou pra participar.

A verdade descoberta é um banho de água gelada no inverno do sul, te faz ter medo até de ligar o chuveiro outra vez. Te faz ter medo de ouvir histórias, verdades e não-verdades. Te faz não saber nunca mais se a verdade é de verdade ou se até a verdade está mentindo para você. Você passa a querer tocar a verdade, passa a acreditar apenas no que é palpável, no que pode tocar, ver, presenciar, sentir, mas nunca mais no que precisa só saber. A verdade é esse banho de água gelada e ninguém pra te alcançar uma toalha ou uma xícara de chá quente.

A frustração é um pedaço de gengibre mastigado na manhã de um sábado de ressaca. Você acorda, a vida acontece, o mundo gira e a noção continua no zero. Dias assim passariam tranquilamente se o estomago não ficasse dando cambalhotas ou competindo com o coração, pra ver qual pulsa mais. Dias assim, a cama é a melhor amiga, o travesseiro tem o melhor abraço, mas o tempo não tem pressa. Parece estar sentado no banco da praça, ao invés de passar. Dias assim, a gente (sobre)vive.

A desistência é o resultado do encontro de tudo isso. De quando a verdade não é contada, de quando a verdade é só uma história que sua mãe não leu pra você quando era criança. De quando se descobre que a verdade não existe e o gengibre salta ao paladar, misturado com algumas doses alcoólicas e várias horas de fuga pra dentro dos copos. A desistência é abrir a janela e, mesmo em dias de sol, ver a chuva e voltar a dormir. Desistência também é proteção.

Entre ouvir a verdade e ouvir Caetano, prefiro escutar meu coração. A gente só tem como saber quando a desistência bater à porta.

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