Sempre que você pensar em nós

Me sento sempre na janela.

A gente dividiu algumas músicas, algumas viagens e muitas risadas. Ela me emprestou suas bandas preferidas, que logo viraram minhas também. Um dia, num daqueles silêncios confortáveis de quem sabe tudo que provavelmente eu diria, ela cantarolou doyoulike?, me olhou com a cabeça um pouco inclinada e, com o jeito doce e meio criança crescida de mais, terminou com a falta de diálogo. “Eu tenho inimigos que ainda quero bem. Tu tem?”.

Deixei-a sem resposta. E não foi só essa vez, foram muitas. Ela tinha um jeito de encarar a vida que me deixava boquiaberta com frequência. Mas ela nunca me deixou, de nenhuma forma. Nem sem resposta, nem sem lugar, nem sem companhia, nem em silêncio por muito tempo. Realizou pequenos sonhos meus, me carregou pra onde foi, nem que por um tempinho só.

Viramos noites regadas a chá, cumplicidade e cobertas no sofá. Viramos amigas, colegas, irmãs. Viramos noites pulando em festas e shows. Viramos noites comendo bobagens. Viramos para lados diferentes.

Nunca me preocupei com ela. Mesmo sendo uma criança crescida, sempre foi mais sensata, sensível, sabida e segura que eu. Ela tem um encanto nos olhos, no rosto e no abraço que faz qualquer um querer ficar perto dela pra sempre. E eu, saudade.

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