Fico desperdiçando meu tempo escrevendo sobre sentimentos que nem sei se tenho por uma pessoa que nem sei quem é, que nem sei se saberei, que nem sei se quero mais saber ou se ela quer ou qualquer coisa. Quando tatuei “eu não sei” no braço talvez nem eu soubesse o quanto não sei sobre tudo.

no fim das contas, todos estamos por aí, nos debatendo de olhos fechados, esperando magneticamente sermos atraídos e atrairmos a “pessoa certa” pra gente, que se encaixe na imensa lista de pré-requisitos para nos darmos a chance de sentir algo além de melancolia, tristeza e insatisfação com a própria vida. às vezes algumas coisas nos emergem desse mar de sentimentos confusos com doses homeopáticas de felicidade, mas por quanto tempo? logo somos jogados de volta.

nunca sabemos se vai durar uma noite ou uma vida, e na esmagadora maioria das vezes nem nos deixamos saber. canso tanto, reclamo tanto e faço igual… fico aqui, com uma placa de “reservado” na testa pra alguém totalmente incapaz de me ler, me olhar, me querer – ou verbalizar qualquer coisa que acenda uma fagulha de esperança de que não estou fazendo tudo errado, metendo os pés pelas mãos e dedicando boa parte do meu tempo, do meu sentimento, da minha vida, das minhas noites e dos meus textos pra quem não está interessado. como consigo, volta e meia, terminar nesse ciclo, repetidamente? nunca aprendo.

mas, também, como e por que deu certo aquela vez, a primeira, quando fui e depois ele veio comigo e fomos juntos até o fim do nosso caminho? trilhamos juntos e descobrimos por conta própria algumas definições sobre amor, já desatualizadas, mas guardadas num canto especial e frequentemente revisitado pra me lembrar exatamente disso: vale a pena, valeu, a gente pode escrever uma boa história se quiser, se estiver disposto e se encontra alguém disposto a escrever ela junto com a gente.

todos estão indispostamente dispostos, entende? todo mundo quer alguém que entre pela porta do nada, apareça no meio da rua, esbarre num café lotado, pegue o ônibus errado, sei lá. eu só quero alguém que não tenha medo de mergulhar e viver uma história intensa, até que ela seja esgotada em todas as suas entrelinhas, sublinhadas ou riscadas e reescritas, ou não termine, continue de um modo diferente, mas que seja vivida peloamordedeussss

não se consegue mais atravessar um dia inteiro em paz e sem desesperadamente sentir falta de depositar esse amor transpirando em alguém, dividir o travesseiro e a pizza, o controle a lista de coisas a assistir, dividir coisas já assistidas e piadas ruins – velhas e novas – sobre como estamos velhos, cansados e o sofá parece bem melhor que aquele boteco.

queremos entrelaçar cabelos e mãos, fones de ouvido e sentimentos recíprocos, ouvir as músicas e ter em quem pensar, pra quem mandar, marcar naquela postagem, aparecer pra visitar do nada e usar uma camiseta com cheiro pra dormir. amor é loteria, reciprocidade é prêmio.

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