Na praça, o cachorro transpira felicidade e excitação quando o tutor joga a garrafa pet para brincar. Ele, incansavelmente, traz de volta toda vez. A praça está cheia, é dia de semana e o ano parece estar terminando… sinto no ar a ansiedade pelas tardes livres da escola, da mochila e do horário de tomar banho. A felicidade é tão sublime… parece aquele filete de luz que atravessa as janelas e reflete um arco-íris linear e incompleto, mas nem por isso menos bonito e delicado. Quais são suas cores?

Na rodoviária, as pessoas trocam olhares e abraços de saudade, alegria e alento. Carregam malas, memórias, casacos e cobertores. Estão indo e vindo e voltando e circulando. Estou…?

Nas ruas, todos sorriem, andam, compram e conversam. Trocam passos, toques, meias-palavras, trocam de lado, trocam de feições ao avistarem conhecidos e desconhecidos. Apaixonam-se, esquecem, seguem. Tomam um sorvete e nada aconteceu.

No campo, a menina corre e encaracola o vento em seus cabelos. Encontra flores, grama e espinhos. Encontra pássaros, ares e se encontra. Pisa na água, no barro, no céu de brigadeiro, no céu da boca de um riso tão grande que parece engolir aquela liberdade e sentir primeiro pelo lado de dentro – dos olhos.

Na cama, acordo pela terceira vez sem entender a falta de sono e o excesso de cansaço. Na janela, fito a imensidão do céu e me reconheço minúscula e impotente, mas ainda assim parte de tudo aquilo, de tudo isso. Não consigo definir se somos grandes demais, pequenos demais, finitos demais, infinitos demais… Não defino e não sei, cada vez sei menos e corro na direção contrária. Quero sentir mais, quero sentir menos, a dor é constante. Amar até doer de amor, amar até doer de dor, amar até doer saudade, até doer ausência, até doer ansiedade, até doer a barriga de tanto rir, até doer o braço de ter o peso do amor deitado ao lado.

Apresso-me para viver, a vida não tem pressa, não nos encontramos e nem nos perdemos, onde estamos? Para onde vamos? Será que temos espaço para irmos juntos, ao lado, em frente? Se me perguntar, eu tenho, vamos?

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