pensei em como gosto das coisas que você gosta. das coisas que traz consigo e não diz. das coisas que vejo atrás das coisas que mostra. ou imagino, ou espero, ou quero. sim, eu quero. pensei nas trocas, nas entregas e nas expectativas. pensei nas músicas, nas letras, nos traços. pensei nos livros e nas histórias, escrevi uma inclusive. pensei no medo, no sonho, no susto. pensei na espera, no aguardo e na falta de pressa. você vai chegar, eu sei.

mala. táxi. partida. ônibus. desembarque. rodoviária. táxi. chegada.

não sei se mais quero ou se mais penso, se mais sinto ou se mais espero. quero gritar, mas me contenho. contenho o grito, o beijo, o salto – e nem é no escuro. quero controlar e me perder, me contradigo quando o que mais quero é não saber o que fazer, viver a expectativa do amor novo, do amor bonito, do amor dos livros e dos teus olhos. sentir o encaixe, o suor e a saliva. sentir o pulso e pulsar junto. planejar e improvisar. amar adulto, amar maduro, amar igual fruta tirada do pé; entendemos e, ainda assim, sentimos como na infância, na delicadeza da essência, na beleza do não-racionalizar e só – e tanto! – sentir. (…) um dia me disseram que o melhor a se fazer quando não se sabe o que fazer é não fazer. me consumo dentro da minha cabeça, meu peito grita e anseia, meu corpo precisa: é, sou uma criatura movida pelo amor que não sabe se um dia amou.

partida. rodoviária. embarque. ônibus. táxi. chegada.

pensei em contornar teus lábios com os dedos, em enrolar meus cabelos nos seus e deitar sobre um ombro – parece que fui feita para caber ali. é coisa de oitava série, disseram, quando contei. ouvi, fiquei chateada. meus amores de oitava série não saíram dos textos que escrevi – será que vai ser assim mais uma vez?

chuva. estrada. mala. passagem. rodoviária. partida.

nunca fui de me apaixonar. nunca fui de muitos amores. não entendo esses laços de fita lisa e frágil que se desfazem a cada pouco… sempre fui corda, fui nó, fui firme e estável. nunca gostei de muitas entregas, mas entregar muito – ou tudo – onde quer que entregue.

chegada. táxi. chuva. sono. saudade.

saudade da entrega, do nó nos dedos, nos cabelos, nos cadarços, nas mãos. saudade de enroscar pernas, lembranças, memórias e histórias. tenho pressa, tenho ânsia e tenho medo. fico, espero. o amor baterá na porta, na aorta e na ponta dos dedos. espero.

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