queria poder dizer que essa é a última vez que escrevo sobre você

olha pra mim.

queria falar com alguém sobre você; ninguém mais ouve. ler as cartas que escrevi, dizer que até tentei desenhar algo sobre o que sinto.. não sei, nas vezes em que não tenho tentado fugir ocupando minha agenda com descompromissos fúteis, é difícil encarar. deixo doer. mais fujo, é verdade, mas às vezes acontece.

não foi à toa que eu cheguei a ti.
se a essas ruas sobrevivi,
e nessas praias não me afoguei,
foi só porque
tinha algo a dizer
pra você.

é tudo tão confuso.. malditas reações químicas cerebrais. tenho vontade de gritar tão alto, acordar os vizinhos, movimentar as sacadas do prédio em frente, parecer um pouco louca e totalmente desequilibrada.

vê, em ti
há tudo que você quiser.

tenho vontade de deixar as coisas saírem do controle e me perder, te perder na memória, não saber onde deixei a saudade.

da coragem à hesitação,
ama o que te treme as mãos.

deixar a porta aberta, mas não pra que você entre; depois que eu for embora.

não te deixa derrubar.

as coisas seguem acontecendo como se não tivesse uma cena de crime dentro do meu coração: todas as gavetas reviradas, muitas memórias perdidas, marcas de que alguém passou por aqui.

será?
a hora é já, meu amor..

por quê? você não chegou a saber quanto tempo levei pra colocar tudo em ordem e chegou com todo esse disparate, nem pediu permissão, como ousa? nem pude gritar com você, eu queria gritar com você!

meu peito é um vulcão em erupção; meu coração é uma folha de hortelã que não entende a infusão em água quente.

tem, em mim,
tudo que você quiser;

coleciono pequenas mágoas, eu sei. não sei onde errei, ainda. presto atenção nas letras e filmes, nos livros e nas lições cotidianas. nenhuma peça encaixa esse quebra-cabeça, eu não consigo identificar o desenho, o que foi que eu perdi?…

tudo que faltou no amor,
tudo que jamais terá.

ligo as luzes para dormir, acordo antes do despertador, minha vida é quase uma fórmula matemática programada pro resultado me manter longe. artifícios não faltam, vícios me acompanham, eu quero saber o que fazer.

tem uma saudade incorrigível circundando a casa, os móveis, eu sinto o cheiro dela no vento. não tem jeito, não tem cura, essa é uma saudade insolúvel, indissolúvel, incalculável, imensurável. sentimentos se misturam, pessoas se misturam, dores se confundem – ainda consigo distingui-las, mas elas parecem não se conseguir mais se separar. até o sabor é o mesmo.

vem cá,
eu vou te dar
tudo de mim

queria poder dizer que essa é a última vez que escrevo sobre você. queria dizer e queria que fosse verdade. queria continuar sem tempo para pensar nas coisas que aconteceram, em como elas se desenrolaram. como tem sido? como tem estado?..

e o amor
irá
nos acompanhar 
até
o
fim.

[https://youtu.be/Ox5O_9hN8xc]

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